Obesidade

1-            Quais as principais consequências da obesidade?

A obesidade é uma doença pró-inflamatória que aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2, fígado gorduroso, cânceres (mama, fígado, cólon etc), artrite, infertilidade, apneia do sono e pode afetar negativamente a saúde mental devido à estigmatização da doença.

 

2-            Recentemente saiu uma pesquisa que aponta que a obesidade aumentou no Brasil. Quais os fatores que podem ter contribuído para isso?

Segundo o Ministério da Saúde, em dez anos, o número de obesos no país aumentou 67,8%.

O aumento da obesidade se deve principalmente às mudanças ambientais, pela maior disponibilidade de alimentos ultraprocessados (macarrão instantâneo, bolachas, barras de cereais), diminuição do tempo de sono e alterações na microbiota intestinal. O uso indiscriminado de antibióticos na infância também favorece o risco de desenvolver obesidade e diabetes juvenil por alteração nos micro-organismos que fazem a digestão dos alimentos.

Os brasileiros estão consumindo menos ingredientes considerados básicos. Apenas um em cada três adultos consome frutas e hortaliças cinco dias na semana. Esse quadro mostra uma transição alimentar no Brasil, que antes era da desnutrição e agora está entre os países que apresentam alta prevalência de obesidade.

 

3-            A obesidade pode ser “passada” de pai para filho?

Pessoas obesas tendem a ter filhos obesos. Estudos em gêmeos revelam que entre 40% e 70% da variabilidade do peso é herdada. O peso corporal, a distribuição de gordura e o risco de complicações são fortemente influenciados pela genética. A expressão gênica no cérebro atua na regulação do apetite.

A leptina é um hormônio responsável pela saciedade. Em sua ausência, que é uma condição genética rara, ocorre ganho de peso desde a infância. Os obesos geralmente apresentam níveis elevados de leptina, porém desenvolvem resistência a esse hormônio, o que leva à diminuição da saciedade e favorece o ganho de peso. Entretanto, o recente aumento de obesidade não se deve apenas à genética, mas a todas as mudanças ambientais.

 

4-            A taxa é maior para mulheres, existe alguma explicação para isso?

As mulheres possuem naturalmente uma porcentagem de gordura corporal maior que os homens. Uma das características da menopausa é o ganho de peso, que pode ser revertido com o tratamento.

A prevenção da obesidade infantil começa no útero, uma vez que o peso da mãe é capaz de influenciar o futuro peso do bebê.

O uso de antibióticos durante a gravidez está associado a um aumento do peso ao nascer, pois a exposição aos antibióticos altera a microbiota intestinal do recém-nascido, favorecendo uma menor diversidade de bactérias, o que desencadeia o ganho de peso.

 

5-            Quando a obesidade se torna um risco para a pessoa? O que deve ser feito?

Não existe obeso saudável. É sempre importante manter o peso ideal para evitar complicações cardiovasculares, doenças osteomusculares, impotência sexual, apneia do sono, diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca. Além de todas essas complicações, os obesos apresentam maior risco de desenvolver vários tipos câncer.

O reconhecimento da obesidade como uma doença crônica com complicações graves para a saúde ajuda a reduzir o estigma e a discriminação dos obesos.

 

6-            Além da mudança de hábitos, existe algum tipo de tratamento que ajude nessa questão?

Apesar de a obesidade ser uma doença crônica muito comum, apenas uma porcentagem ínfima dos pacientes é devidamente tratada.

Infelizmente os obesos se sentem culpados de sua condição e têm vergonha de buscar ajuda. Além disso, acreditam que apenas comer menos e gastar mais energia irá curar a obesidade. Tais atitudes são eficazes para a prevenção, mas uma vez instalada a doença, ela deve ser tratada com medicamentos seguros e aprovados pelo FDA. O tratamento irá melhorar sua saúde e reduzir os riscos cardiovasculares e metabólicos. Os medicamentos ajudam a reduzir a fome, aumentar a saciedade e o gasto energético. O paciente obeso deve ser tratado com respeito e dignidade.

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